26 abril 2012

Só está bem quando está a dormir. Não se sente triste, frustrada, sozinha, chateada. Quando está a dormir, não sente nada. E ela gosta de não sentir nada, às vezes... e só mergulhar no que a sua imaginação tem para lhe dar, sem que ele esteja presente, por algum motivo. Pensa muito, pensa demais. Deixa muito por dizer, porque quanto mais diz, mais se sente dormente. É um ser inteiro. Diz por entre os seus lábios "eu vim para ficar" mas o tempo geme... É tão profunda e intocável, inventa sonhos que ficam presos no horizonte. Diz que o amor é premeditado, que é sempre premeditado. Vive dentro de uma personagem que ela criou, porque a acalma. Não sossega quando a cabeça lhe diz que a vida não faz sentido, que não quer mais nada do mundo, porque se contenta com a frieza de uma trovoada. Mas já nem a trovoada a assusta. Caminha para ele, parece que quase a correr... e aguenta-se com o pouco que ainda persiste. Abandona-se lentamente de si, sem dúvidas, mas com inalteráveis tristezas... com a alma de quem já viu sofrer. Ilude-se e confunde-se, sente tanto mas não se exprime a ninguém. Nada lhe pertence, nem amor, nem liberdade, nem destino, nem rumo, nem sorte, nem limites. Rema na dor e acha que ninguém vê. Parece que já ninguém lhe sabe falar. Não se vê a sorrir verdadeiramente há algum tempo. "Andemos para a frente e que o passado não nos acompanhe", sussura. Pensa sem poder falar. Anseia por libertação. Anseia por ser infinita. Quando pensa que já esteve tão perto de ser feliz, a sua face enche-se de lágrimas. Olha para tudo como um ser indiferente. Parece que tudo é normal. Mas sorri, com tudo o que lhe resta. Continua a ser mulher. Continua mergulhada em páginas em branco, sem coerência. Não existe, mas sobrevive. É feliz porque o sol se abre, mas este fecha-se... porque mais dela irá nascer num próximo dia. Age como se talvez, um dia, esse dilema tenha fim. Eu lembro-me de ti e digo "é só para dizer que te amo".

2 comentários:

Ana Margarida disse...

Que lindo! Gostei imenso, sigo-te.

Sofia Duarte disse...

Oh, obrigada querida!*